Mai 162012
 

liberdade por Alberto Caeiro

Este poema é da autoria de Alberto Caeiro, um dos heterónimos principais de Fernando Pessoa – que é certamente um dos poetas Portugueses mais amplamente influentes da modernidade: um autor cuja criatividade era tão vasta que se transcendeu a si próprio. Pessoa desenvolveu conscientemente inúmeras personalidades criativas; diferente de um mero pseudónimo, tratavam-se de aspectos multifacetados de si: completas com as suas próprias identidades, estilos criativos e ambições, histórias de vida e mesmo cartas astrais. Pessoa criou dezenas de tais “outros eus” (pelo menos 81 foram já documentados), sendo que quatro destes foram tão meticulosamente desenvolvidos que poderiam facilmente passar por pessoas reais.

Alberto Caeiro foi assim um dos heterónimos principais de Fernando Pessoa. Ele foi imaginado como sendo uma simples pessoa do campo, sem quaisquer aspirações ou ambições. Caeiro seria uma pessoa simples e sem educação, completamente aliviado de qualquer fardo de pensamento. Pessoa concebeu-o como alguém que “vê as coisas com os olhos, não com a mente“. Dada a espontânea qualidade do ser observável em Caeiro, os outros heterónimos (incluindo o próprio Pessoa) reverenciavam-no como sendo o “Mestre ingénuo”.